Se você está acompanhando nossa série de blogs que analisa novas tarifas e o impacto delas nas operações dos supply chains, meu primeiro post abordou os novos cronogramas tarifários e o potencial impacto sobre fabricantes e varejistas. Nos artigos que se seguiram, abordei os impactos sobre o planejamento da demanda e a gestão do inventário e dividi as respostas estratégicas em alguns temas principais. Agora veremos como as empresas estão lidando com o gerenciamento de procurement e fornecedores em resposta às tarifas de 2025.
Os impactos tarifários nas estratégias de aquisição
Em geral, as tarifas podem impactar significativamente as estratégias de aquisição. Veja como:
- Aumento nos custos: quando tarifas são impostas a determinados bens ou materiais, o custo de aquisição desses produtos aumenta. Isso pode forçar as empresas a buscarem fornecedores ou regiões alternativas que não sejam afetadas pela tarifa, aumentando potencialmente os custos gerais de procurement.
- Mudança de fornecedores: as empresas podem transferir as aquisições para países ou fornecedores que não estão sujeitos às novas tarifas, levando a mudanças nas relações com os fornecedores e potencialmente causando interrupções ou atrasos no supply chain.
- Reavaliação das estratégias de supply chain: as tarifas podem levar as empresas a reconsiderarem onde fabricam ou adquirem os produtos. Elas podem recorrer a fontes locais ou regionais para mitigar o impacto das tarifas ou explorar opções de nearshoring ou relocação.
- Complexidade do supply chain: as tarifas podem trazer mais complexidade às decisões de aquisição, exigindo que as empresas monitorem constantemente as mudanças nas políticas comerciais e adaptem as estratégias de acordo. Isso pode envolver o redirecionamento de mercadorias ou o trabalho com vários fornecedores em diferentes regiões.
- Planejamento de longo prazo: as empresas podem ajustar as estratégias de aquisição de longo prazo para evitar tarifas futuras, incluindo a exploração de materiais alternativos ou a diversificação da base de fornecedores.
Estratégias na aquisição
Para lidar com esses impactos, observei organizações empregando novas estratégias de aquisição e procurement que se dividem em quatro grupos principais, cada um refletindo o ambiente dinâmico da aquisição na dinâmica do supply chain:
Usar fornecedores locais mais próximos (relocação)
As empresas estão migrando para a produção doméstica ou abastecendo-se de países vizinhos com acordos comerciais favoráveis, para evitar tarifas. Com a relocalização, os fabricantes estão trazendo as operações de produção ou aquisição de volta ao país de origem da empresa ou aos mercados regionais, a fim de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e evitar tarifas.
Ásia+1 ou China+1
Transferindo parte ou toda a produção da China para outros países da Ásia ou regiões próximas para mitigar os riscos associados às tarifas específicas da China e às interrupções no supply chain.
Renegociar preços mais baixos com fornecedores para compensar as tarifas
Trabalhando com fornecedores para reduzir custos ou ajustar as estruturas de preços para mitigar o impacto financeiro das tarifas. Isso pode levar à objeção, como visto na tentativa fracassada do Walmart de pressionar os fornecedores chineses a baixar os preços.
Diversificação
Expandindo a base de fornecedores para incluir várias regiões, garantindo menos dependência de qualquer país ou região e reduzindo a exposição tarifária graças à aquisição de países não sujeitos às tarifas.

Mudanças na aquisição e no procurement, por tema estratégico
Exemplos de implementação estratégica de aquisição por tema
Abaixo estão exemplos de fabricantes e varejistas que implementaram quatro abordagens principais. Ao analisar a lista, pergunte a si mesmo: “qual estratégia faz mais sentido para sua organização?
1. Usar fornecedores locais mais próximos
Fabricação:
- Rolls-Royce: para reduzir o impacto de possíveis tarifas sobre peças importadas, a empresa está ampliando suas capacidades de fabricação nos Estados Unidos, com instalações em Aiken, Carolina do Sul e Indianápolis, Indiana. A Rolls-Royce estuda transferir a produção de motores para o país como forma de mitigar os efeitos das tarifas comerciais
- Hyundai: em resposta às tarifas iminentes, a Hyundai planeja construir uma usina siderúrgica de US$ 5,8 bilhões próxima a Donaldsonville, na Louisiana (EUA). A iniciativa visa criar mais de 1.400 empregos e reduzir a dependência da importação de aço. A empresa também anunciou novos investimentos de US$ 20 bilhões nos EUA, incluindo essa nova instalação, como estratégia diante do cenário tarifário incerto
Varejo:
- H & M: A H & M está trabalhando para comprar mais roupas e acessórios de fornecedores mais próximos de seus principais mercados na Europa e nos EUA. A H & M acelera a mudança para supply chains regionais em meio à ameaça tarifária
- Five Below: Para diversificar as estratégias de aquisição, este varejista de descontos abriu uma filial na Índia para explorar fornecedores alternativos e reduzir a dependência das importações chinesas. A Five Below afirma que alguns preços subirão em meio à redução das tarifas
2. Estratégia Ásia+1 ou China+1
Fabricação:
- Hasboro: A Hasboro relata que pretende diminuir a proporção da produção de brinquedos e jogos dos EUA proveniente da China de 50% para menos de 40% nos próximos dois anos. Para isso, a Hasbro está expandindo as operações de fabricação em países como Vietnã e Índia. Hasbro e Mattel tomam medidas para evitar as tarifas da China
- HP: A HP continuará transferindo a produção para outras regiões e, até o fim do ano fiscal, 90% dos produtos para a América do Norte serão fabricados fora da China. A HP afirma que 90% dos produtos para os EUA serão fabricados fora da China até outubro
- Lenovo: A Lenovo está transferindo toda a fabricação de PCs atualmente dentro da China nos próximos três anos Lenovo se junta ao crescente êxodo da China à medida que os fabricantes fogem das tarifas dos EUA — OEM transfere linhas de produção para a Índia
Varejo:
- Costco: Apesar das pressões tarifárias, a Costco continua adquirindo produtos da China para garantir a qualidade, mesmo que isso resulte em preços mais altos, refletindo um equilíbrio entre custo e padrões dos produtos. Costco faz movimento controverso para evitar altos custos tarifários
3. Renegociar preços mais baixos com fornecedores para compensar as tarifas
Varejo:
- Walmart: diante do aumento dos custos devido às tarifas sobre alumínio e outras importações, o Walmart está negociando com seus fornecedores para gerenciar os aumentos de preços. Além disso, a empresa está explorando alternativas de fornecimento para manter os preços competitivos.
A crescente pressão da China sobre o Walmart pode resultar em preços mais altos para os consumidores dos EUA. - Target: assim como o Walmart, a Target está envolvida em negociações com seus fornecedores para lidar com os custos crescentes resultantes das tarifas. A empresa busca equilibrar as necessidades dos fornecedores com o impacto sobre os preços para o consumidor. Walmart e Target estão conduzindo essas discussões com os fornecedores em resposta às tarifas
- Costco: Sem os preços negociados dos fornecedores, o CEO, Ron Vachris, disse que a Costco consideraria modificar o supply chain internacional se as tarifas resultassem no aumento significativo dos preços Costco está pressionando fornecedores na China continental a cortarem os preços, informa o FT
4. Diversificação
Fabricação:
- Nvidia: Para diversificar os fornecedores, a Nvidia está investindo centenas de bilhões de dólares para transferir a fabricação de semicondutores para os EUA nos próximos quatro anos, reduzindo a dependência de instalações de produção asiáticas. Nvidia gastará centenas de bilhões na manufatura dos EUA, diz CEO
- Mattel: A empresa que fabrica a Barbie está buscando diversificar a área de produção na tentativa de otimizar custos e operações de processamento. Mattel fechará fábrica de fornecedores na China este ano
Varejo:
- Lululemon: A Lululemon está explorando a transferência de mais do seu supply chain para o Vietnã, Indonésia, Malásia e Bangladesh. Lululemon está trabalhando para diversificar o supply chain para o Sudeste Asiático. Observe que, no momento em que este artigo está sendo escrito, há potencial para novas tarifas do Vietnã que exporiam ainda mais a Lululemon.
- Kroger: A Kroger está identificando oportunidades para diversificar a base de aquisição para outras commodities. Kroger fica de olho na exposição tarifária dos produtos
Esses exemplos são apenas um subconjunto das respostas já observadas na aquisição e no procurement. Eles ilustram como as empresas estão ajustando proativamente as estratégias de aquisição e procurement para lidarem com as complexidades resultantes das tarifas, com o objetivo de manter a competitividade e a resiliência do supply chain.
Perguntas sobre aquisição baseada em dados para responder com confiança
Confira algumas perguntas que você deve saber responder com rapidez e confiança.
1. Impacto na estrutura dos custos
- Como as novas tarifas afetarão nossa estrutura geral dos custos, principalmente em materiais como aço, alumínio e produtos agrícolas?
- Qual porcentagem dos nossos produtos vem de regiões afetadas pelas tarifas? E qual é o aumento projetado nos custos?
2. Impacto no fornecedor
- Quais fornecedores são mais vulneráveis às novas tarifas? Como eles planejam mitigar esse impacto?
- Quanto do nosso supply chain depende de fornecedores localizados nos países ou setores afetados pelas tarifas?
3. Estratégia na aquisição
- Podemos mudar a aquisição para mitigar os aumentos nos custos?
- Quais opções alternativas (domésticas ou internacionais) podemos explorar para reduzir nossa exposição aos produtos tarifados?
Automação e analytics
Lidar com as tarifas, tanto as em vigor quanto as anunciadas, depende da capacidade de tomar decisões rápidas e baseadas em dados em um ambiente em constante mudança. É aí que o self-service analytics e a automação entram em ação, capacitando as equipes com os insights e a agilidade necessários para gerar esses dados de forma rápida e precisa, permitindo tomar decisões de aquisição mais inteligentes e rápidas. Duvida? Pergunte à Amway, que usou a plataforma Alteryx One para automatizar todos os seus cartões de pontuação desde o ponto de vista dos dados.
